7/12/2004

Liga 2M

Mas afinal o que se passa com as equipas de Maputo? perderam todo o "mojo" que tinham antes? Não percebo como é que um Costa do Sol, que ainda à 2 anos atrás estava entre as 8 melhores equipas africanas (a participar na Liga dos Campeões Africanos), este ano esteja, à 8ª jornada, somente na 4ª posição.
Vamos lá a animar pessoal, se o pessoal da província toma-lhe o gosto, depois ninguém lhes tira de lá.
Mas isto sem querer tirar nenhum mérito aos 2 Ferroviários que estão lá em cima. Parabéns aos dois, até porque, pelo que tenho lido e ouvido, estão a fazer um campeonato muito bom.


Preparem a recepção na "Ilha do Ouro"(?), porque parece que temos seguidores de Serpa Pinto a caminho.  Posted by Hello

7/08/2004

Madgermanes

Para quem não os conheça, os famosos "madgermanes" são das poucas vozes de contestação permanente ao governo moçambicano, chegando por vezes a ultrapassar o "politicamente correcto", como no ano passado quando insultaram o Presidente da República em plenas celebrações do dia 1 de Maio, ou ainda quando à uns dias trás, resolveram pura e simplesmente ocupar o edifício da Assembleia da República em Maputo, como mais uma forma de protesto. Gostando-se ou não deles, uma coisa é de se reconhecer neles, não desistem daquilo a que (alegadamente) dizem ter direito. E ponho este alegadamente, só por uma questão de bom-senso, porque pelo que sei, eles realmente têm direito a alguma coisa. Coisa essa que lhes é negada pelo governo moçambicano a.k.a. FRELIMO.
Já vou voltar a falar dos "madgermanes", mas já que falei nessas tais formas de protesto meio que "terceiro-mundistas", lembrei-me ainda de mais uma, também à relativamente pouco tempo atrás, na qual a RENAMO decidiu boicotar uma das sessões da Assembleia da República, tendo para tal levado apitos, batuques e tambores para o meio da sala, e começado ali uma verdadeira discoteca africana. Quem não soubesse que sítio era aquele, certamente que pensaria tratar-se de mais uma exibição da Companhia Nacional de Canto e Dança. Logo choveram críticas à RENAMO, e ao seu comportamento dito "selvático". Lembrei-me disto a propósito destas medidas radicais tomadas pelos "madgermanes", e a verdade é que, embora não concorde muito com estas práticas da democracia em versão moçambicana, por outro lado, não posso deixar de pensar que, quando as coisas não funcionam como deveriam funcionar, há que chegar a extremos (sem exageros obviamente) para que elas funcionem ou, pelo menos, para que quem deveria fazê-las funcionar, perceba que as pessoas não são burras, e que a paciência tem limites, e o descontentamento existe. Ou seja, não é lá muito "bonito" saber que a RENAMO boicota sessões da Assembleia da República, ou que os "madgermanes", invadem a Assembleia da República como forma de protesto. Mas, se estes agem deste modo, é porque fica difícil comunicar com quem detém o poder, e se estes últimos transpiram poder e arrogância, então não vejo, de facto, alternativas para poder vincar posições, ou reivindicar o que quer que seja. Não é bonito, mas se calhar é mais eficaz.
Mas voltando aos "madgermanes", estes são regressados da ex-RDA, país onde trabalharam durante vários anos, ao abrigo dos vários acordos de cooperação que Moçambique tinha, com vários países socialistas. Caido o muro de Berlim, os "madgermanes" voltaram para Moçambique (e não eram poucos, mais de 10 mil se não estou em erro), e deveriam receber uma quantia referente ao seguro social, para o qual todos eles descontaram enquanto trabalharam na ex-RDA.
E aqui é que começa o problema. Desde que eles voltaram para Moçambique, que travam esta luta com o governo, pois no início o governo alegava que estes não tinham direito a dinheiro nenhum, mas depois quando se provou que isto não é verdade, a FRELIMO muda o disco, e aceita pagar, mas pelos vistos com valores muito aquém dos devidos.
Daí que, esta guerra entre os "madgermanes" e a FRELIMO se desenrole à vários anos.
A última notícia agora, depois desta invasão da Assembleia da República, é que o próprio presidente Chissano, ordenou ao governo para que resolva as reivindicações dos "madgermanes". Ficamos à espera, a ver se finalmente este assunto será resolvido.

Grupo Desportivo de Maputo

Isto é mais para aqueles saudosistas, que viveram o tempo em que o Desportivo era um dos chamados "grandes" do desporto moçambicano... até porque eu não sou do Desportivo, e porque este, nos dias de hoje, está nas ruas da amargura. Mas a boa notícia, é que depois de alguns anos de letargia do Desportivo, sempre a vaguear pelos lugares mais em baixo da tabela classificativa do nacional de futebol moçambicano, o treinador do Desportivo vem agora assumir, a luta pelo título da Liga Moçambicana de Futebol, chegando até a dizer que "a pior hipótese é a terceira posição na classificação final".
Duvido um pouco que isso aconteça porque, como já disse, hoje em dia o Desportivo vive à sombra dos chamados grandes (Costa do Sol, Maxaquene e Ferroviário de Maputo), mas não deixa de ser interessante saber até onde este Desportivo pode chegar. Se calhar está aí o renascer de um gigante adormecido... a fazer lembrar o seu "pai" português... outro gigante adormecido, que tarda em acordar.

7/06/2004

CPLP

Já agora, um pequeno excerto de um livrinho que li no outro dia, e que não deixa de ser mais uma opinião sobre a tão famosa e discutida "descolonização", e a tão apregoada CPLP.

"Com a guerra, dividiu-se o País, desperdiçaram-se recursos e energias e manteve-se, durante mais de dez anos, uma obsoleta política nacional. Com a descolonização, até parcialmente em resultado da guerra, deram os portugueses à história do mundo um terrível contributo de covardia, incompetência e irresponsabilidade. Com ambas, guerra e descolonização, Portugal liquidou praticamente todas as possibilidades de manter relações vivas e decentes com os países que anteriormente colonizou. Ao contrário das outras metrópoles de grandes impérios, Portugal não conseguiu preservar ou renovar os laços de cooperação com os novos estados. Nem parece que jamais tal venha ainda a ser possível. Se, entre estes países, alguma coisa existe hoje de essencial e de visível é a hostilidade, apenas suavizada pela corrupção. Portugal não perdeu só o Império: perdeu também a possibilidade de desempenhar um papel de relevo em qualquer dos continentes não europeus. E já se percebeu, apesar de quase ninguém o querer dizer, que a língua não basta para criar uma comunidade, nem sequer de cultura, quanto mais de interesses."

-Tempo de Incerteza-(António Barreto)

Chamanculo

Isto a propósito dos nossos famosos "cinzentinhos", quando as coisas não funcionam... só nos resta mostrar a nossa insatisfação.

6/18/2004

Vida de cão

Agora já sabem, quem quiser passear-se por esta Europa com o seu melhor amigo, terá de levar o passaporte do mesmo. Mas... só não percebi uma coisa. Então a UE aplica a liberdade de circulação de mercadorias, pessoas, bens e serviços a todo o espaço europeu... e toca de discriminar desta maneira os nossos melhores amigos?! Então, mas o que é isto? Se, porventura, o meu melhor amigo fosse francês, teria de vir com passaporte? Violação pura do princípio de não discriminação no espaço da União Europeia.

Encontro "secreto" em Lisboa

cuidado... eles andam aí!
O pior é que fico sempre na dúvida, por estes dias, com a quantidade de adeptos ingleses, dinamarqueses, suecos, etc nas ruas de Lisboa. Serão simples adeptos ingleses? serão "eles"?... difícil distinguir! Ou melhor... conseguirão ser os adeptos ingleses piores que "eles"?!

De mal amado pelos benfiquistas, passou a contratação surpresa do VillaReal... e temos um mozambiqueño em Espanha.

6/15/2004

O apito dourado sul-africano

A polícia sul-africana, depois de várias investigações, deteve 20 árbitros, vários dirigentes e futebolistas da Primeira Liga de Futebol sul-africana (a chamada Premier Soccer League). Tudo isto porque, pelos vistos, haveria o hábito de se "arranjarem" os jogos por aqueles lados. E isto envolvendo todos, desde árbitros, a jogadores, passando pelos treinadores etc. Há já quem fale no maior escandâlo de corrupção de sempre do país de Mandela.

6/14/2004

Educação e civismo

A propósito de uma reportagem no Público, sobre os portugueses de Moçambique, chamou-me a atenção o relato de uma portuguesa a viver em Nampula, que diz sentir "falta da família, da educação, do civismo, de... um simples 'obrigada', de um 'bom dia'. Sinto falta até de ir a um centro comercial, a um hipermercado", dizia ela, aos seis meses de estadia. Mais ainda de um cinema."
Falta civismo, e educação. Pois, se calhar... não sei. Mas depois passeio-me por este blog e, ao ver a descrição de "África vista pelos olhos de um branco", percebo que se calhar não é bem assim.

Mambas sem veneno


Já que estamos em tempos de futebol, com o Euro 2004, é sempre bom também saber que os "Mambas" conseguiram, neste domingo, ganhar ao Malawi por 2-0, e transitar à fase seguinte da Cosafa Castle Cup. Pena é que esta (aparente) subida de forma dos "Mambas", tenha surgido somente quando eles já estão arredados de qualquer competição oficial da FIFA, até 2006. Isto porque não conseguiram passar da pré-qualificação para o Mundial 2006, bem como para o CAN. E a Cosafa Castle não passa de uma prova a nível regional, das selecções representativas dos países da África Austral. Portanto, é sempre bom ganhar, mas sabe sempre melhor quando são jogos a sério, do que quando se tratam de jogos a feijões.
Mas enfim, melhores dias virão. Dá é um pouco de raiva, ver a selecção de Moçambique assim tão moribunda, quando antes nós eramos presença constante nos CAN's (o equivalente africano do Euro). Basta lembrar as nossas presenças nos CAN's de 94 e de 96, este onde até fomos comandados pelo professor Rui Caçador, substituindo (algo injustamente) o ucraniano Vitkor Bondarenko, depois de este ter feito uma fase de qualificação quase perfeita com Moçambique.
Resta esperar que a partir de 2006, quando as competições oficiais voltarem a abrir as portas para nós, os "Mambas" tenham o veneno em dia. E, já agora, que qualifiquem-se para o Mundial 2010... não é pedir muito, pois não? Posted by Hello

6/10/2004

O mal menor

Excerto de uma entrevista ao "Público", do professor francês Patrick Chabal, catedrático de Estudos Africanos Lusófonos do King's College, na Universidade de Londres. Transcrevi só esta parte da dita entrevista, pois focava directamente o país da marrabenta, e a possível vitória da FRELIMO nas eleições. Vitória essa que, no entender deste catedrático, constitui uma espécie de mal menor para a comunidade internacional.

"Se olharmos para o que se passou em Moçambique, vemos que não é o caso. Antes das eleições, pensámos que a RENAMO, de quem toda a gente tinha uma impressão terrível das atrocidades cometidas, ia sofrer uma grande derrota. Porém, no dia das eleições, apercebemo-nos de que a RENAMO tinha um apoio popular enorme. E como no caso de Angola, podemos pensar que a UNITA tem uma grande quota-parte de responsabilidade pelo que se passou, mas se as eleições forem verdadeiramente livres, haverá um forte apoio à UNITA. Talvez ainda mais que em Moçambique [para a RENAMO], uma vez que a população do Centro [de Angola] é ainda mais importante. No caso de Angola, em 1991, a UNITA poderia ter vencido as eleições, se a política de Savimbi não tivesse feito perder votos ao partido.
Em Moçambique, quais os factores que poderão determinar se haverá ou não alternância política nas próximas eleições com a saída da FRELIMO do poder?
O que é potencialmente importante é o facto de [Joaquim] Chissano deixar a política e isso joga a favor da RENAMO, porque não sei se [o secretário-geral da FRELIMO, Armando] Guebuza terá o mesmo apoio. O problema é que a RENAMO não é um partido da oposição politicamente muito sério. E [o líder Afonso] Dhlakama não é muito credível. A RENAMO não trabalha muito para atacar a política do Governo da FRELIMO. Não temos a certeza que a RENAMO acredite que pode ganhar. É esse o problema. O partido não se coloca verdadeiramente na posição de alternante. Isso pode jogar a seu desfavor. Mas têm um grande apoio popular.
Qual o cenário desejado e a ser apoiado pela comunidade internacional?
A comunidade internacional é totalmente ambígua. Por um lado, quer eleições democráticas porque isso corresponde à sua ideologia oficial. Por outro, prefere ter que lidar com aqueles que conhece, ou seja, a FRELIMO, em vez de ter de fazer face a um outro governo, que seria uma incógnita total."

Mutola

Mais uma vitória da "menina de ouro" moçambicana, Lurdes Mutola, ou Maria Mutola, como é conhecida fora de Moçambique. Agora ela não só ganhou os 800 metros, no meeting de Ostrava (República Checa), como ainda fez questão de estabelecer a melhor marca do ano, dos 800 metros, e consequente recorde do meeting. Desta vez, fez a distância em 1.57.76 minutos.
Parabéns Mutola, mas vê lá se não te cansas muito. Os moçambicanos querem o ouro em Atenas.

uma janela, uma bandeira!


Em roma, sê romano! E já que torço pela equipa da casa (como não podia deixar de ser), já pus a minha também à janela. A €1 euro cada bandeira, ali no Continente, dá sempre jeito. Entretanto, já há por aí alguma (mini)polémica, em relação às ditas bandeiras, e ao facto de serem made in China. Pelos vistos, vieram com alguns erros... confesso que ainda não reparei. Reparei sim, é que são de uma qualidade meio duvidosa. Mas a €1 euro cada, não reclamo... já dizia o outro que "a cavalo dado, não se olha o dente". Este não foi dado, mas quase. Mas pronto, a minha já lá está, agora resta esperar por sábado..
 Posted by Hello